A manicure

A manicure está de mãos trêmulas, ao tocar a extremidade machucada de outra mão. A manicure sabe que seria mais doído no Dia das Mães. Ali nas linhas de suas palmas a memória não produziu o alívio da perda de um destino. De um, não. De dois.

Levaram, do filho primogênito, aos vinte e três anos, um carro — e a vida. A esposa do rapaz estava grávida. Não deu conta do luto, e a neném que nasceu ficou com a avó, a manicure. A pequena crescia na casa entristecida.

O filho primogênito tinha uma irmã. Três anos depois dele, ela se foi, com chumbinho. Também aos vinte e três anos. A manicure não a encontrou mais, sobre a cama, ao chegar em casa. Era uma depressão incubada — foi o que disseram. Não havia mais os seus filhos.

Agora, neste Dia das Mães, a pequenineta está com oito aninhos. A vida segue com sorrisos menos expansivos.

Não sei bem onde, mas podia também existir manicure homem.

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A metáfora do coração

A quem possa interessar, está disponível neste link a monografia que apresentei, ano passado, como trabalho de conclusão do Curso de Especialização em Extensão Universitária (Coordenação Colegiada UFMG / UFSJ / PUC Minas / UniBH). Foi o primeiro curso de pós-graduação específico sobre a temática da extensão, realizado em Belo Horizonte graças ao esforço conjunto dos Fóruns de Pró-Reitores das Universidades Públicas, Comunitárias e Particulares.

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“A metáfora do coração: uma leitura da extensão universitária à luz do pensamento de María Zambrano”

— Silvio Diogo

Resumo: O trabalho dedica-se à leitura de construções conceituais elaboradas no campo da extensão universitária e de documentos orientativos no âmbito do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras. Para tanto, propõe uma aproximação entre reflexões formuladas pela pensadora espanhola María Zambrano (1904-1991) e princípios e procedimentos da extensão — aqui compreendida como práxis, conhecimento, processo, mediação. A configuração institucional do meio acadêmico e as tensões entre universidade, sociedade e Estado são compreendidas na perspectiva apontada pelas noções de temporalidade e convivência social. O método de estudo prioriza as singularidades do conhecimento mediado e mobilizado pela extensão e os pontos de abertura da ciência ao acolhimento de dimensões metafóricas do saber.