A manicure

A manicure está de mãos trêmulas, ao tocar a extremidade machucada de outra mão. A manicure sabe que seria mais doído no Dia das Mães. Ali nas linhas de suas palmas a memória não produziu o alívio da perda de um destino. De um, não. De dois.

Levaram, do filho primogênito, aos vinte e três anos, um carro — e a vida. A esposa do rapaz estava grávida. Não deu conta do luto, e a neném que nasceu ficou com a avó, a manicure. A pequena crescia na casa entristecida.

O filho primogênito tinha uma irmã. Três anos depois dele, ela se foi, com chumbinho. Também aos vinte e três anos. A manicure não a encontrou mais, sobre a cama, ao chegar em casa. Era uma depressão incubada — foi o que disseram. Não havia mais os seus filhos.

Agora, neste Dia das Mães, a pequenineta está com oito aninhos. A vida segue com sorrisos menos expansivos.

Não sei bem onde, mas podia também existir manicure homem.

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