“O sentido se sente com o corpo”, Josely Vianna Baptista

Li em voz alta, pelo celular, um poema mui envolvente de Josely Vianna Baptista, “O sentido se sente com o corpo”. Palavra rente à pele, som de querer perto. “Como se diz o que está por um triz?” Aprocheguem-se…

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O sentido se sente com o corpo
— Josely Vianna Baptista

“o sentido se sente com o corpo, como o olho se molha quando chora. o sentido é quente como o corpo, como o olho que brilha quando gosta. o sentido se pensa com o corpo, que pressente esse sentir que não mente. (como se diz o que nunca se diz? o que se desdiz? como se diz o que se diz a esmo? como se diz mesmo?) o sentido se dobra como o corpo que sente outro corpo rente ao corpo, se veste com o corpo que desveste os véus de seus segredos e seus medos. vai-se lendo bem lento, em silêncio, quando quase do avesso me convenço. (como se diz o que nunca se diz? como se quis o que nunca se fez? como se faz o que nunca se quis? como se diz o que está por um triz?) o silêncio vai-se lendo em silêncio, quando quase do avesso me convenço. vai-se lendo sentido no silêncio, vai-se vendo, do avesso me convenço. o silêncio vai dizendo ao silêncio: assim se diz o que se diz mesmo. assim que diz o que se quer — desejo”

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Do livro “AR”. São Paulo: Iluminuras; Fundação Cultural de Curitiba, 1991.

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Fotografia das estrelas: Elisa Borges

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