Casório

Casório é o nome do meu próximo livro, uma narrativa ficcional em versos, composta de sete capítulos. Do ponto de vista do tema, o enredo centra-se na semana de preparativos para um casamento, na localidade de Ventura. Dispõe-se temporalmente entre o domingo anterior ao matrimônio e o sábado da cerimônia. Cada capítulo atém-se a um dia da semana, com a especificidade de o segundo, correspondente à segunda-feira, referir-se a um tempo anterior ao dos acontecimentos. A trama desenrola-se na cidade fictícia embora boa parte das personagens ali esteja apenas temporariamente. O que reúne e dá sentido à sequência das ações é a realização do casamento. A família da noiva (Tereza Bessa) mora em Ventura, mas tanto ela como o noivo (Xavier Volante) vivem em São Sebastião do Morro Castelo. Por um anseio próprio de Tereza, eles decidem casar-se na pequena cidade, onde a protagonista passou a infância e parte da juventude, antes de se mudar. Os dias de véspera das núpcias e acontecimentos da adolescência da protagonista compõem os dois eixos que estruturam a narrativa.

Do ponto de vista da forma, toda a narração é apresentada em versos, sem rima, com uma estrutura rítmica constante: há uma cesura, não explícita, verso por verso, que marca a divisão cadenciada de duas redondilhas menores (p. ex., “Menina fazia/ carinho no rosto”, “Sem chuva, Thomázia/ varria poeira”). Os diálogos presentes no texto, na maior parte das vezes em verso livre (p. ex., “— Mas dói, vô?”), constituem a exceção ao modelo de metrificação adotado. Sete pequenos resumos introduzem o(a) leitor(a) nas circunstâncias que se desenvolvem em cada capítulo.

O Casório alimenta-se de uma tradição brasileira, tanto literária quanto oral, da narrativa ritmada, e busca transitar nas fronteiras entre a voz e o texto, o erudito e o popular, o feminino e o masculino, o sonho e o ato. Por esse caminho, o arquétipo do casamento encontraria ressonância também do ponto de vista da forma. “Casório” pode ser lido como uma coleção de casos, de causos; e Ventura, o terreno poético em que se permitem e se casam a invenção e a aventura. 

Tereza Bessa, a protagonista / Ilustração de Carolina Tiemi Teixeira

 

Reproduzo abaixo o primeiro capítulo do livro, “A menina Musa”.
(Observação: os asteriscos indicam as mudanças de página.)

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1. A MENINA MUSA

Em uma cidade chamada Ventura, há preparativos para o casamento. Nasceu lá a noiva, a moça Tereza. Vem acompanhada por tia e tio. Quem fez o almoço foi a Djanira, que é filha de André (também mãe de Musa). Prazer conhecê-los.

*

— Dói, vô?

Menina fazia carinho no rosto.
Menina e o vô e hoje é domingo.
Em uma das faces do homem curtido
havia um buraco, no rumo do queixo.

— Chama cicatriz — vô André dizia.

A mão pequenina de dedos macios,
menina amorosa era curiosa:

— Mas dói, vô?

Pergunta de novo, de novo pergunta;
os dois de manhã na velha Estação.
Cuidado de neta não é implicância.
O vô entendia e, assim, demorava
até explicar o que ela queria:

— Tem horas que dói.

— Que horas?

*

Aquela manhã iriam chegar,
de São Sebastião do Morro Castelo,
a noiva e a irmã, a tia e o tio
(o povo que tinha inventado o casório),
pois já era hora dos últimos toques:
dali a seis dias seria o enlace,
os preparativos estavam no fim.

Menina, porém, curtia avoar
no tempo de agora: o ensaio de tarde
com o grupo de Lira — que é o nome do mestre;
a expectativa do som do instrumento
de cada pessoa mais a brincadeira!
O vô, percebendo que a neta ia longe,
sem se afastar muito dali perto dela,
de leve sorriu e foi dar um giro.

*

Domingo em Ventura mexia-se a feira:
corria no Largo, chegava à Estação.
Andina, Olaria e outros vilarejos
bem cedo baixavam, buscavam-se erguer,
acender os olhos, abrir horizontes,
sonhar misturado, pisar pé no chão.

No espaço de tempo do andado de André,
menina notava o par das façanhas:
Azeitona vinha com a sacola cheia,
ao lado da Uruca de Zé Pururuca.
Conversa dos dois? Só provocação.
Disfarce: via-se que se admiravam.
Quem compreendesse detalhes da dupla
imaginaria o quê da bagagem.
Ele se gabava mexendo a mochila:

— Óóó… nove garrafas!

— Mas finhas ou fonas? —
retruca a Uruca, u’azinha na cuca.

*

— Fiiinhas… —
murmura Azeitona, um ombro no ouvido.

Menina, de olho no que acontecia,
a menina Musa (assim se chamava)
pensou, um instante, no seu próprio nome,
mas como se fosse o de outra pessoa,
alguma mulher antiga ou distante.

Quando vô André já vinha de volta,
menina avistou por trás o veículo,
sentiu toda a gente bulir na Estação;
o ônibus cheio parou devagar:
quem desceu primeiro foi uma senhora,
que a menina viu e reconheceu —
no brilho do rosto se felicitaram.
Era Ludovina, vizinha de vó.
Demais viajantes surgiram depois.

*

Tereza vistosa enfim despontou;
mais tia Eunice, o tio Raimundo
e Estela também, irmã de Tereza.
Traziam as malas, falavam ruidosos,
com praticidade e sem cerimônia.

Vô André e Musa seguiam à espera.

A noiva Tereza os cumprimentou,
as mãos ocupadas num gesto inquieto.
Ia perguntando, ao passo que André
tentava ajudar, pegava os pertences.
Tereza estranhou: por que os seus pais
não estavam ali para o desembarque?
Josué Conrado (o pai de Tereza)
havia pedido ao irmão André
que fosse à Estação, porque no domingo
estaria fora com a esposa Zenaide.

*

De madrugadinha tomaram a estrada;
providenciavam quitutes da festa
com Ana Estrelinha, na vila Bucaina.
Musa concluiu dizendo aos parentes
que o almoço seria em casa de mãe —
esta, Djanira, caçula de André.

Tereza e Estela, Eunice e Raimundo,
sedentos de um banho, a fome apertando,
sem muito argumento os acompanharam;
não era tão longe, e foram a pé.

Menina escondia um pouco de pressa —
fizera o convite pois tinha motivo:
um amigo dela, o menino Êpa,
se achava a caminho por aquela hora.
Quem sabe até mesmo tivesse chegado
também para o almoço, antes de irem
juntos tocar em Balbeque, no meio da tarde.

*

Quase atravessando o pátio da frente,
ela o escutou já lá no quintal;
em volta dum banco inventava moda:

— Paizim reclamô! Durmi mei’ do mato!
Medo num sinhô! Bicho corro e cato!

Nisso perseguia o cão Camarão,
pelo arrepiado atacando o ar;
as feras batiam-se, os dois ofegantes,
giravam no jogo, na luta e na terra.

Ao se aperceber de novas presenças,
Êpa deu um tempo, catou Camarão…
Pessoal entrava pousando suas coisas;
Djanira foi dar um abraço na noiva,
fez votos à prima e beijou-lhe a testa,
saudou os restantes, indo a cada um.
Ofereceu água e pediu para a filha
preparar um suco, que logo a comida
ficaria pronta: não se incomodassem.

*

Eunice, no entanto, foi para o fogão,
se pôs a ajudar, enquanto Raimundo
pitava um cigarro beirando a janela.

Menina saiu a panhar limão;
gostou de ver Êpa zanzar o terreiro.
Colheram os frutos, Camarão na cola.
Aí que o menino retornou à casa,
André dera um jeito de sair calado;
Estela no banho, Tereza no quarto,
Raimundo soltou, em tom escarninho,
a pergunta em riste, destinada a Êpa:

— Você é o cachorro?

Camarão no ato lançou um latido,
empinou o corpo e as duas orelhas.
Não acharam graça no dito do homem.

*

Visto que o menino se mantinha sério,
aquela chacota ficou no vazio,
mas deixou no clima algum pó de atrito.

A dona da casa então recordou
um ingrediente do agrado de Êpa:
chamou-o mais perto, mostrou só a ele,
na fresta do pote… farinha de milho!

À orla da pia, em sumo e semente,
menina espremia e, às vezes, passava
arteira na língua o gomo azedinho:
postura catita à prova de mágoas.

De lado, Raimundo mexia uns palitos;
no fogo, no ponto, tutu de feijão.
Êpa retirou as coisas da mesa
e foi estendido o forro estampado.
As irmãs vieram de vestido novo.
Fervura do cheiro puxava às panelas.

*

Pediu-se licença; todos se serviram.
Depois, o silêncio provou como estava
supimpa o regalo: o arroz com galinha,
a couve, o tutu, a pimenta bode,
vinagrete, alface, farinha amarela;
limonada e gelo no jarro de vidro.
Os de boca boa até repetiram.
Camarão parado (à espreita) na porta.
Um, se recostando, rumou para a rede;
Djanira tratava de trazer os doces
de cidra e de leite, colheres e pires:

— Hummm!

Menina entoava junto do menino
batidas do ensaio, cantigas e toques.
Sentia vontade de experimentar
nas mãos a sanfona que Lira estalava —
Musa era movida por mola de música.

*

A mãe da menina cuidava na escuta
e enchia a vasilha do cão com capricho.
Filha se saía melhor no pandeiro;
ousava na caixa e tinha um chocalho.
De menos tarimba na roda de Lira,
Êpa começara pelo maracá;
sondava a calimba, sonhava o tambor,
assim como Anselmo, o do reco-reco —
os mais empolgados dos principiantes.

Conforme o compasso do assunto rendia,
Djanira e Eunice fazendo perguntas
sobre as peripécias da trupe mirim,
aquilo deixou Tereza ciumosa —
viola, crianças, a banda, Ventura;
o palavreado parecia um só:
não se dava trela ao seu casamento!

Por onde andaria madre Monalize?

*

Mirou ao redor em busca de Estela:
a irmã percorria a horta do fundo,
pensando quais mudas iria pedir.
Camarão, deitado, a olhava de longe.
A noiva acenou para Estela entrar.

Tempo dos pequenos traçarem sua rota;
breve se aprontarem, tratarem os dentes,
o abraço pulinho correndo canela.
Mãe recomendava juízo, juízo:

— Vocês vão com Deus…

Tereza, por fim, passou a narrar
o veludo vinho do terno do noivo
(estilo exclusivo que ela desenhara),
corte na medida no tecido certo.
Xavier Volante, garrido nas bodas,
cairia bem com o clima da noite —
meados de julho o frio deslizava.

*

Mulheres ouviam caso que ia ser;
limpavam cozinha e lavavam louça.
Na rua, um barulho anunciou gente.
Vendo um movimento no esfregar do chão,
Tereza por dentro inteira tremeu —
como que sumia o peso do corpo.

O cão Camarão saltou num disparo.
Aos poucos, a moça tornava do transe;
os recém-chegados eram mãe e pai
de Tereza Bessa, ainda confusa
das recordações em seu infinito.

Algum estopim trouxera a avalanche
de muitos caminhos em um dia antigo
de segunda-feira, quando era uma vez.

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Água para o Brumadinho

— um apelo em poesia

No sítio que é dos Cantares,
convivo com um problema:
o drama comunitário
com que construo o poema.

É um apelo, confesso,
nascido da impaciência.
A formalidade, há anos,
não resultou em sucesso.

Nas terras do Brumadinho,
luminoso lugarejo,
falta a água, imprescindível
para todos os vizinhos.

Protocolamos ofícios,
procuramos Copanor,
tentamos a Prefeitura;
toda sorte de artifícios.

Não há água na torneira.
Ninguém possui o registro.
Até o Ministério Público
conhece bem tudo isto.

Reuniões se sucederam,
cálculos foram feitos.
Compromissos no papel
mostraram-se sem proveito.

O Brumadinho, no Guinda,
é um formoso povoado:
dia de névoas e sol;
noite de céu estrelado.

As corujas esvoaçam
e algum coelho aparece.
Aranhas, rãs e calangos
a sua morada tecem.

Variedades de rochas
fascinam estudiosos;
os coloridos cascalhos
indicam bens preciosos.

Conglomerados antigos
afloram por muitos lados.
Incontáveis diamantes
extraíram-se aos bocados.

Nesse lugar pioneiro,
relata-nos a história,
garimpeiros cavucaram
a joia dentro da rocha.

O garimpo, todavia,
escasseou com o tempo.
Abandonaram-se as lavras,
sobraram grandes crateras.

Duros blocos de rochedos,
mais despesas do que lucro:
vidas duras de sustento
no horizonte do Tejuco.

Na bravura, os moradores
fixaram residência
nos terrenos descuidados
(meio de subsistência).

Um monte de cangas rubras
chamado Paiol de Pedra
já guardou muito tesouro.
E hoje é nome de rua.

Preservar o Brumadinho,
sua história e geologia,
é olhar para o Cerrado,
suas mínguas, sua magia.

Um ponto dos mais difíceis
é o acesso às fontes hídricas.
Os mananciais, já raros,
na estiagem dão o mínimo.

E se cada domicílio
pudesse contar enfim
com o fluir da água potável,
própria para ser bebida?

A vida vicejaria
na horta regada, forte;
no frescor dos alimentos;
no banho com mais conforto.

Partilhamos do princípio
de que a água é um tema público.
Querelas ambientais
são repletas de conflitos.

Por isso, é indispensável
que o diálogo aconteça,
que a omissão se desfaça,
que se escutem as queixas.

Sabemos que a crise hídrica
não é privilégio nosso.
A sede atravessa o século,
o mundo de injustas posses.

Torna-se prioridade
procurar alternativas
que contemplem os saberes
do povo e dos cientistas.

No bioma do Cerrado,
as plantas medicinais
são força das benzedeiras
que espantam o mau-olhado.

Brincar de subir em árvore.
Andar atrás das formigas.
Pular de peito no rio.
Artes de criança antiga?

Pois bem, temos as lições
do passado e do presente
para estrear a estação
que acenda os sonhos da gente.

A distância é pouquinha.
A caixa-d’água do Guinda
está só a um quilômetro
do núcleo do Brumadinho.

E há um leve declive
ao longo do chão da estrada
que facilita o traçado
de uma nova rede hidráulica.

O empenho da Prefeitura
no cadastro dos imóveis
será vital ao projeto
de tudo quanto almejamos.

O município aprovou
um regimento específico
voltado a áreas rurais
com aspectos urbanos.

Espera-se que esta lei
proporcione os registros
e as certidões de número
para cada moradia.

Um Brumadinho com água,
entre o campo e a cidade,
é sonho que cultivamos.
E a vida é sonho. E é árvore.

Candeia, ipê, jatobá,
samambaia, quaresmeira,
gameleira, gabiroba,
goiaba, jequitibá.

De galho em galho voamos
na utopia, na fé.
A gente enfim quer bebida,
quer diversão e balé.

Sílvio Diogo
— primavera de 2017

*

Nota: Inspirado no morador de Brasília — Luiz Carlos Garcia — que converteu a sua indignação com um vazamento de água num longo poema reivindicatório, tentei traduzir em versos o apelo em defesa da implantação do abastecimento de água no povoado do Brumadinho, distrito do Guinda, em Diamantina. A questão me toca diretamente, pois ali venho construindo uma casa, o Sítio dos Cantares. Agradeço ao amigo Renato Oliveira, vizinho de Brum’s, por provocar-me à escrita.

Masculina coragem


Sílvio Diogo

a Gioconda Belli

Necessita-se de homens corajosos;
homens que olhem nos olhos
e aprimorem o jeito de alegrar as mulheres,
calentar as mulheres.
E alertar-se.
Homens que assumam as próprias imperfeições
e as enfrentem com o ímpeto de que são dotados.
Que percebam, sim, os marasmos da amada
e busquem nos segredos da convivência
os pontos precisos, os momentos precisos
de falar e agir.
Homens que sejam tocados pelo desejo
de estarem felizes consigo,
com os amigos, o trabalho, os sonhos, a vida.
Necessita-se de homens corajosos
para lidar com a casa, as necessidades, as perdas;
os assuntos fortes e delicados.
Homens que procurem cuidar
das carências do corpo,
da saúde do coração.
Necessita-se de novos homens.
E de experiência, também, necessita-se.
Em proveito dos gêneros
(muitos mais do que dois)
é dirigido este anúncio.
Necessita-se, por certo,
de mulheres atentas
a essas tantas
necessidades.

*

Ilustração: — Sílvio Diogo, 2008
(grafite, papel, lápis de cor, tesoura)
[desenho do logotipo das Edições Toró (2005), versão colorida para o livro “Um segredo no céu da boca: pra nossa mulecada”. São Paulo: Edições Toró, 2008]

Pausa para refletir

Espelho mágico,
ó estilhaçado ser
que nos devolve
o escárnio do povo,
a triste figura!

Diante de ti,
irmão fractal,
aos despedaços,
não saímos:
iludidos de ótica.

Arriscas provar
que a vaidade
é o nosso feitiço,
olhar o excesso
em excesso.

Espelho esperto,
espantalho da paz,
queres fazer crer
que somos só
a feia aflição.

Alucinados,
trocamos de pele
e nos vestimos
do lado do avesso
para te agradar.

Ousemos, enfim,
impor uma pausa
à tua presença,
à tua própria imagem
dessemelhante.

Mãos que se achegam
procuram-se ver.
Aos olhos dos outros
(se não forem o inferno)
é que nos descobrimos.

Música das máquinas

Adentrar, menino, a marcenaria;
vasculhar o mundo do marceneiro
de nome Minaré.

— Minaré! Minaré!

Desvendar, no tempo de após,
o maquinário e a memória,
a palavra desenhada,
a datilografia do som,
a melodia sob a agulha,
a revelação da luz.

— E clique! E clique!

Eriçar a ponta dos dedos:
abrir as portas do voo
com o toque da voz.

Contar histórias de um tempo
em que marceneiro e menino
dividem pó de oficina
e canção de motor.

— Minaré! Minaré!

AR-

Onze de dezembro, domingo, fui ao Museu Tipografia Pão de Santo Antônio para imprimir uma nova leva do poema (sem título, até então) que havia composto no ateliê aberto do dia anterior, na programação da Semana do Patrimônio Tipográfico.

No momento de puxar o bloco de tipos, cometi um erro de principiante: deixei escorregar algumas das peças de chumbo, amarradas com barbante, e precisei então reencaixá-las.

Daí veio o erro seguinte: a sílaba “ar-”, da palavra “arrancar”, saiu invertida na composição. E não me dei conta disso até que as vinte cópias do poema passassem pela prensa. Pois bem: lá estava eu com vinte folhinhas de “ra-rancar” rindo da minha cara.

A nova e última emenda, passadas algumas semanas, foi recortar as letrinhas, inverter as cores dos papéis, e batizar o poema de “AR-”, com o hífen movimentando a inspiração e a expiração.